Entre os dias 12 e 14 de setembro, o Pontão de Cultura Digital do Circo Voador em parceria com o projeto comunitário Escola da Mata Atlântica prestou assistência técnica para a construção de um telecentro rural em Aldeia Velha, distrito de Silva Jardim, a uma hora e meia do Rio.
O telecentro funciona dentro da Casa de Sementes Livres, que será inaugurada em novembro, tornando-se o primeiro banco de sementes comunitário e rural do estado. O sistema dos quatro computadores que foram montados é todo em software livre. “A semente do computador que é o software, é livre, assim como as sementes que serão trocadas ali”, explica Tadzia Maya, coordenadora do Pontão Ambiental do Circo. A casa terá um projeto pedagógico para que os computadores, as sementes e outros produtos como livros, cd’s e filmes estejam integrados no currículo da escola, que fica no mesmo terreno, e também na vida dos moradores. O projeto original da construção do espaço foi apoiado pela ASL, Associação Software Livre, com sede em Porto Alegre, que já patrocinou outros projetos com o mesmo propósito.
Foram realizadas oficinas de montagem de computadores com a turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da escola local, além de moradores da comunidade de aproximadamente 900 pessoas. A coordenadora de meio ambiente da Escola da Mata Atlântica, Tainá Soares, elogiou a metodologia do Pontão: “Eles explicaram muito bem o funcionamento dos computadores desde o be-á-bá e tornaram tudo muito interativo; foi lindo ver os velhinhos encaixando a memória nas máquinas”, comemora.
Houve também um debate sobre diferenças entre software livre e software proprietário, aproximando-o do debate entre sementes crioulas e sementes transgênicas.
Marcelo Maciel, que foi um dos responsáveis pela oficina de metareciclagem observa: “As oficinas foram bastante interessantes, num momento estávamos em uma sala de aula com crianças, adultos, idosos, mexendo e aprendendo com um computador antigo, circulando com suas peças na sala. Em outro momento algumas dessas mesmas pessoas estavam cuidando da
horta, ou conversando sobre software livre e sementes crioulas”. Marcelo também considerou a diversidade de fontes de investimento e doações para viabilizar o projeto: “Vejo nessa história mais um pequeno caminho de resistência”, disse. No turno da tarde, uma oficina de desenho animado com o coordenador da área gráfica do Pontão, Henrique Barone, agradou crianças e adultos.
No espaço da casa, um bolsista da Secretaria de Promoção Social vai cuidar para que a comunidade tenha seu primeiro contato com as máquinas. Guilherme Santos foi um dos pedreiros responsáveis pela obra da casa – construída em mutirão com pau a pique – e agora será o monitor responsável pelo seu funcionamento. A comunidade agora pretende pedir uma antena Gesac para acessar a internet e trocar suas sementes com todo o mundo.
Mais fotos em: http://www.flickr.com/photos/circodigital/show/








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Trabalho maravilhoso!
Trabalhando concretamente e metafóricamente pela liberdade do conhecimento e da vida!
Parabéns!
já sinto saudades de vocês!